O peso das expectativas recaía sobre eles. Após o sucesso inesperado de Gish em 1991 e o impacto de Nevermind do Nirvana, eram comparados a "os próximos Nirvana", e a pressão era insuportável. Chamberlin lutava contra seu vício, Iha e Wretzky haviam acabado de se separar, e Corgan enfrentava seu pior bloqueio criativo. As letras do disco refletiam esse caos: Disarm fala de sua depressão, Today de um dia à beira do abismo, e Cherub Rock é um golpe na indústria musical. Mas também havia espaço para o pessoal: Spaceboy é uma homenagem a seu irmão Jesse. O disco estreou na 10ª posição da parada Billboard e vendeu mais de quatro milhões de cópias nos EUA, mas o mais interessante não são os números, e sim como aquele som caótico se tornou sua marca: guitarras que se multiplicavam no ouvido esquerdo e direito, melodias perdidas no ruído, e uma produção que buscava profundidade sem recorrer aos efeitos típicos de estúdio.
O que mais surpreende em Siamese Dream não é sua fama, mas sua audácia técnica. Corgan e Vig trabalharam até o esgotamento para fazer cada instrumento soar como se estivesse em um cômodo diferente, embora tudo tivesse sido gravado no mesmo espaço. Rocket, Today e Cherub Rock se tornaram os singles mais reconhecíveis, mas o disco funciona como um todo: canções que vão do melódico ao abrasivo em segundos, como se o próprio álbum tivesse personalidade múltipla. A revista Rolling Stone o colocou na 362ª posição de sua lista dos 500 melhores álbuns em 2003, mas seu verdadeiro legado está em como redefiniu o que um disco de rock alternativo poderia ser: menos punk, mais arquitetura sonora.