Acordes em preparação
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A história por trás
Tres llaves, segundo o DoReSol
A canção Tres llaves não é apenas mais uma faixa no disco Téster de violencia: é uma peça em que Spinetta leva a dor de seu tempo a um lugar íntimo e preciso. As três chaves que menciona — "o que se vê", "o que se ama" e "o que se perde" — não são metáforas soltas, mas uma tentativa deliberada de ordenar o que o país vivia naqueles anos. Gravada em 1988, soa como um exercício de lucidez: cada verso parece medido para não falhar, como se Spinetta soubesse que aquelas palavras teriam de se sustentar por si mesmas no meio do ruído da época.
O álbum nasceu em um contexto em que a democracia recém-instaurada na Argentina já apresentava fissuras. Spinetta vinha de trabalhar com Fito Páez em La, la, la, mas a violência política — aquela que matou as mães de seu companheiro — o levou a se voltar para dentro. Téster de violencia não fala da violência como um conceito abstrato, mas como algo que habita os corpos, que se mede em cada gesto. Spinetta contou a Juan Carlos Diez que a letra de Tres llaves foi trabalhada por meses, como se cada palavra fosse mais uma chave a ser ajustada. O Mono Fontana, responsável pelos arranjos de teclado, deu ao tema essa atmosfera de urgência contida que o faz soar diferente de tudo o mais no disco. Dura 3:55, mas nesse tempo cabem três ideias que se entrelaçam sem pressa.
Do álbum
Tester de violencia
Luis Alberto Spinetta · 1988 · Track 8
Dados
Créditos
Letra Luis Alberto Spinetta
Música Luis Alberto Spinetta