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O amor, o sorriso e a flor

por João Gilberto · Álbum O amor, o sorriso e a flor

Se é tarde, me perdoa

Duração 1:43

Acordes em preparação

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A história por trás

Se é tarde, me perdoa, segundo o DoReSol

Se você prestar atenção na duração de Se é tarde, me perdoa —um minuto e quarenta e cinco segundos—, não parece grande coisa. Mas nesses cento e cinco segundos está condensado tudo o que João Gilberto vinha buscando desde que chegou ao Rio em 1950: um jeito de tocar violão que soasse como se o tempo se esticasse sem nunca perder o compasso. Não é uma canção que se escuta, se sente; não se canta, se sussurra. A voz de Gilberto flutua sobre a base rítmica como se cada sílaba tivesse o peso de uma pena, e o violão faz o contraponto, marcando o pulso com uma precisão que parece casual, mas é calculada milimetricamente. Não há adornos, nem coros, nem arranjos que distraiam: apenas o violão, a voz e aquele ar de quem sabe que o simples pode ser o mais difícil de se alcançar.

Esse tema apareceu em O amor, o sorriso e a flor, o terceiro disco de Gilberto, lançado no Brasil em 1961. O curioso é que, antes de chegar às lojas brasileiras, já havia cruzado o Atlântico: em 1960, a gravadora Capitol o incluiu em Brazil's Brilliant João Gilberto, um álbum pensado para apresentar seu som ao público norte-americano. Não era um experimento: era uma declaração. Gilberto, ao lado de Antônio Carlos Jobim, estava levando a bossa nova além do Rio, e Se é tarde, me perdoa era uma dessas peças que, sem alardes, explicava tudo. O produtor Aloysio de Oliveira —que já conhecia o ofício de levar música brasileira a outros mercados— deu o espaço certo para que a gravação respirasse sem pressa. Não houve overdubs nem correções de última hora: o que você ouve é o que Gilberto gravou no estúdio, em uma única tomada, como se o disco inteiro dependesse de aquela canção não se desmanchar. E não se desmanchou.

Do álbum

O amor, o sorriso e a flor

O amor, o sorriso e a flor

João Gilberto · 1960 · Track 5

Dados

Duração1:43
ÁlbumO amor, o sorriso e a flor
Ano1960