Acordes em preparação
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A história por trás
Salir a asustar, segundo o DoReSol
Divididos começa Salir a asustar com um golpe seco que não avisa: o baixo de Diego Arnedo se crava em um padrão que parece tirado de um sonho acordado, enquanto a bateria de Federico Gil Solá marca um compasso que não chega a se acomodar por completo. Não é um ritmo perfeito, mas algo mais vivo, como se a canção respirasse entrecortada. O guitarrista Ricardo Mollo entra com um riff que se repete em círculos, mas não é um loop qualquer: tem um toque de desordem controlada, como se cada volta ao mesmo lugar deixasse algo novo para descobrir. A voz de Mollo, rouca e direta, chega depois, quase como um sussurro que se converte em grito sem aviso. Não há enfeites aqui, apenas urgência.
O tema nasceu em La era de la boludez, um disco que a banda gravou em 1993 com equipamentos emprestados e um orçamento apertado. O curioso é que, apesar das limitações, o som que conseguiram acabou se tornando um dos mais reconhecíveis do rock argentino dos anos 90. Aníbal Kerpel e Gustavo Santaolalla ficaram responsáveis pela produção, mas o verdadeiro truque esteve em como misturaram tudo: Danny Alonso e Tony Peluso deixaram que os instrumentos colidissem entre si, sem polir as asperezas. Essa decisão deu à canção um ar cru, como se estivesse gravada em uma garagem em vez de um estúdio. Durava apenas 3:20, mas nesse tempo cabem mais ideias do que costuma haver em canções duas vezes mais longas.
Do álbum
La era de la boludez
Divididos · 1993 · Track 1
Dados
Créditos
Letra Diego Arnedo, Ricardo Mollo, Federico Gil Solá
Música Diego Arnedo, Ricardo Mollo, Federico Gil Solá