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Do álbum
19 días y 500 noches
Joaquín Sabina · 1999 · Track 10
Dados
A história por trás
Em Pero qué hermosas eran o tempo se detém num vals lento, onde cada acorde parece sussurrar uma confissão entre copos e despedidas. Não é apenas uma canção: é um instante em que a nostalgia se torna tangível, com um ritmo que se arrasta como a fumaça de um cigarro em um bar vazio. O baixo traça linhas melancólicas que se entrelaçam com a gaita, enquanto a voz de Joaquín Sabina desenha imagens de mulheres que se vão, de amores que se desvanecem no ar. O detalhe que mais surpreende é como o tema é construído sobre um compasso irregular, quase como se o coração batesse com pausas inesperadas, conferindo-lhe essa sensação de desordem controlada que faz cada repetição soar fresca.
A gravação deste tema não foi simples. Sabina e sua equipe trabalharam por sete meses no estúdio, lutando contra as objeções da gravadora, que via com ceticismo um disco duplo em um mercado acostumado a formatos mais curtos. O resultado, no entanto, justificou o esforço: 19 días y 500 noches vendeu meio milhão de cópias, tornando-se um dos álbuns mais longos de sua carreira até então, com quase setenta e cinco minutos de música. A mixagem ficou a cargo de Brett Rader, enquanto a produção esteve sob responsabilidade de Enrique Berro García e Alejo Stivel, este último ex-integrante do Tequila, que aportou aquele som cru que contrasta com a elegância das letras. O tema, com seus sete minutos e pouco de duração, não buscava ser um sucesso comercial imediato, mas sim uma peça que respirasse por si mesma, como aquelas histórias contadas entre amigos nas altas horas da noite.