Acordes em preparação

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A história por trás

A canção Motor psico começa com um riff que parece sair de um pesadelo elétrico, onde a guitarra de Skay Beilinson se enrola em um padrão que nunca chega a se encaixar por completo. Não é um loop perfeito, mas algo mais orgânico, como se o motor que dá título à canção estivesse prestes a superaquecer. O baixo e a bateria o acompanham com uma energia contida, como se cada batida de bumbo fosse um passo mais perto de uma explosão. A voz de Indio Solari entra com um tom entre sussurrante e ameaçador, como se estivesse revelando um segredo perigoso no meio de uma oficina abandonada.

Gravada em 1986, Motor psico faz parte de Oktubre, um disco que marcou uma virada no som de Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota. Na época, a banda deixava para trás o rock mais cru de sua estreia Gulp! para adentrar um território onde o new wave e o post-punk se misturavam com letras que falavam de revoluções fracassadas, opressão e aquele clima de incerteza deixado pela Guerra Fria sobre a Argentina. A arte da capa, de autoria de Rocambole, reforça essa ideia: figuras humanas em luta, como se o próprio disco fosse um manifesto visual. Dura 4:56, mas nesses minutos cabem climas que vão do hipnótico ao caótico, com um saxofone que surge em algum momento como um grito distante.