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Do álbum
Honestidad brutal
Andrés Calamaro · 1999 · Track 8
Dados
A história por trás
Esta canção curta mas intensa, Mi quebranto, soa como um suspiro entre notas de piano e guitarras que se entrelaçam em um ritmo que nunca chega a se acomodar. Não é uma melodia que permanece quieta: o baixo traça linhas que se esticam e contraem, como se cada acorde respirasse antes de soltar o próximo. O piano, quase um sussurro no início, vai ganhando corpo até que a voz de Andrés Calamaro entra com aquela mistura de cansaço e ternura que faz com que o tema não soe como um lamento, mas como algo mais cru e real. Há algo na estrutura que lembra aqueles momentos em que a música parece mais próxima a um diário íntimo do que a uma canção: frases que se repetem com variações mínimas, como se cada repetição fosse uma tentativa de entender o que dói.
Calamaro chegou a Mi quebranto depois de anos se movendo entre bandas e projetos, tocando em estúdios emprestados e aprendendo com músicos que, como ele, buscavam um som próprio. Antes de gravá-la, já havia passado por formações como Raíces no Uruguai, onde tocava teclado, e depois por grupos como Chorizo Colorado Blues Band ou Elmer's Band, sempre ao lado de Augusto Gringui Herrera. Mas foi em Stress, aquela banda que viria a ser o germe de Los Estereotipos, onde começou a moldar o estilo que depois o definiria: guitarras cativantes, letras sem rodeios e essa capacidade de soar ao mesmo tempo desleixado e preciso. Mi quebranto não é apenas uma canção de um disco, mas um momento em que Calamaro parece ter deixado de lado os arranjos perfeitos para se deter no essencial: uma melodia que paira no ar, como se o próprio tempo tivesse desacelerado.