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A história por trás
Metrópole, segundo o DoReSol
Há canções que não precisam de mais de dois minutos e meio para deixar marca. Metrópole é uma delas: um golpe seco de guitarra que se crava desde a primeira batida, com uma letra que não pede explicações, apenas se põe diante da cidade e a encara de frente. Não é um hino épico nem um lamento romântico, mas algo mais incômodo: a descrição de um lugar que respira por suas contradições, onde o asfalto e o silêncio se misturam sem aviso. O som é direto, sem recheios, como se a banda tivesse decidido gravá-la no exato momento em que a ideia lhes ocorreu, sem filtros. Essa urgência se sente em cada nota, especialmente no riff inicial, que volta uma e outra vez como um batimento que não para.
A canção apareceu em Dois, o segundo disco de Legião Urbana, lançado em julho de 1986. Na época, a banda já havia deixado claro que não seguia regras: nem as da indústria, nem as dos gêneros, nem mesmo as da imprensa, que nos primeiros anos os recebeu com ceticismo. Dois acabou se tornando um daqueles discos que, sem querer, se tornaram inevitáveis: em 2012, uma votação entre ouvintes da rádio Eldorado FM, leitores do portal Estadao.com e do caderno Caderno C2+Música o colocou entre os três melhores álbuns brasileiros de todos os tempos. Mas além dos rankings, o que fica é a sensação de que Metrópole capturou algo que poucos tentaram nomear: o peso de viver em uma grande cidade sem perder de vista o que realmente importa. Renato Russo, seu autor, deixou isso claro anos depois: o rock não era um produto, era uma forma de estar no mundo.
Do álbum
Dois
Legião Urbana · 1986
Dados
Créditos
Música Renato Russo