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A história por trás
Lo estamos pasando muy bien, segundo o DoReSol
«Estamos a divertir-nos imenso» soa como um grito gravado num elevador que sobe e desce entre o humor negro e a ironia mais direta. Não é uma canção que convide a dançar, mas sim a rir daquilo que dói: aquele otimismo forçado que o discurso oficial vendia nos anos 80, quando o Chile ainda vivia sob o peso da ditadura. A melodia avança com um ritmo cativante, mas desconfortável, como se o baixo de Jorge González arrastasse cada nota para um lugar que não chega a ser festivo. O refrão, com a sua repetição obsessiva de «estamos a divertir-nos imenso», funciona como um espelho distorcido da propaganda política da época: será que realmente tudo corria bem ou apenas nos faziam acreditar nisso?
A canção surgiu no terceiro álbum dos Los Prisioneros, *La cultura de la basura*, lançado em dezembro de 1987. Esse álbum foi um acerto de contas com o Chile neoliberal que começava a surgir, e «Lo estamos pasando muy bien» foi uma das suas faixas mais controversas. Quando a versão latino-americana foi lançada em 1988 — com remixes e algumas faixas novas —, a canção já se tinha tornado um hino involuntário para quem via a fachada do progresso económico como uma farsa. A duração de quase seis minutos dá-lhe espaço para desenvolver essa ironia sem pressa, como se cada acorde fosse mais um comentário irónico. Gravada num contexto em que a banda já tinha quebrado o cerco mediático, mas continuava a ser vetada nas rádios, a canção acabou por se tornar um sucesso em países como o Peru, a Bolívia ou o Equador, onde a mensagem calou fundo numa juventude que também vivia sob regimes autoritários.
Do álbum
La cultura de la basura
Los Prisioneros · 1987 · Track 9
Dados
Créditos
Música Claudio Narea