Início · Músicas · Andrés Calamaro · Las heridas
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Do álbum
Honestidad brutal
Andrés Calamaro · 1999 · Track 14
Dados
A história por trás
O primeiro golpe de Las heridas chega com aquele acorde de guitarra que se crava como uma faca lenta. Não é um riff épico nem um solo interminável, mas algo mais sujo, mais próximo daquele rock que se toca em garagens com a porta entreaberta para entrar a fumaça dos cigarros. A voz de Andrés Calamaro entra logo em seguida, arrastando as palavras como se cada sílaba pesasse, e o baixo se enrola em um padrão que não chega a se resolver. Há algo naquela estrutura que lembra aqueles temas que soam tão bem na rádio quanto em um bar de má morte às três da manhã: nada pretensioso, mas com personalidade suficiente para ficar ecoando na cabeça.
Calamaro já vinha tocando em bandas como Raíces ou Stress —esta última, o germe do que depois seriam Los Estereotipos— quando gravou Las heridas. Na época, o bandoneón de sua infância e a guitarra elétrica de sua adolescência já faziam parte de seu som, mas aqui o piano e o órgão lhe dão aquele ar entre nostálgico e de rua que o caracteriza. A canção não busca impressionar com virtuosismo, mas com honestidade: são dois minutos e trinta e oito segundos de feridas que não fecham, de melodias que se repetem como cicatrizes. Não é difícil imaginá-la tocando em um alto-falante velho, entre risos e copos meio cheios, onde a música não precisa ser perfeita para ser necessária.