A história por trás
Il grande sarto, segundo o DoReSol
Il grande sarto soa como uma oficina de costura onde os fios se emaranham com o ritmo. A faixa começa com um pulso que parece costurar e descosturar compassos, como se o próprio tempo se ajustasse a cada ponto. Essa mistura entre o mecânico e o orgânico — o som de uma máquina de costura misturado com uma batida que avança sem pressa — é o que lhe dá aquele ar entre brincalhão e calculado que faz com que a canção não soe como mais nada.
Celentano a gravou em Milano numa época em que o rock and roll começava a cruzar o Atlântico em direção à Itália. Não era só música: era um gesto. O artista, conhecido como il Molleggiato por sua forma de se mover no palco, já vinha há anos quebrando padrões, mas aqui levou essa rebeldia ao terreno do cotidiano. A letra, assinada por ele e outros, brinca com imagens que vão do doméstico ao filosófico, como se o grande alfaiate — o "grande sarto" — fosse uma metáfora de alguém que molda não só tecidos, mas também costumes. E embora o tema dure pouco mais de três minutos, o efeito fica preso como um botão mal abotoado: algo que não chega a se fechar por completo.
Do álbum
Azzurro
Adriano Celentano · 1971 · Track 22
Dados