A história por trás
Heroína, segundo o DoReSol
Heroína do **Sumo** é uma daquelas músicas que ficam gravadas na memória pelo som, antes mesmo de se entender a letra. A faixa não segue o ritmo convencional das bandas da sua época: o baixo e a bateria traçam um groove hipnótico que se estende mais do que o habitual, enquanto a guitarra e a voz de **Luca Prodan** se enredam num diálogo que parece improvisado, mas é milimetricamente calculado. Há algo nesse descompasso entre a base rítmica e os arranjos melódicos que lhe confere um ar ao mesmo tempo cru e sofisticado, como se a canção respirasse num compasso que não se encaixa totalmente, mas funciona.
O álbum Llegando los monos, onde aparece Heroína, foi gravado em 1986 com equipamentos emprestados e sem grandes pretensões de polir cada detalhe. O resultado foi um som mais orgânico do que o de outras bandas argentinas da época, onde os erros e as imperfeições acabaram por se tornar parte da sua identidade. **Prodan** e o resto do grupo trabalharam sem produtor, embora **Walter Fresco** figure como diretor artístico nos créditos. A faixa em si dura 5:43, tempo suficiente para a canção se desenvolver sem pressa, como se cada nota tivesse espaço para respirar. Não é um sucesso comercial como Los viejos vinagres — que o próprio **Prodan** admitiu ter composto com esse objetivo — mas em Heroína há algo mais: uma honestidade que não se repete em muitas faixas de rock argentino daqueles anos.
Do álbum
Llegando los monos
Sumo · 1986 · Track 9
Dados