Acordes em preparação
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A história por trás
Everyday, segundo o DoReSol
Há canções que soam como futuro mesmo quando são gravadas em sua época. Everyday é uma delas: em 29 de maio de 1957, nos Norman Petty Recording Studios em Clovis, Buddy Holly e sua banda registraram algo que soava como pop puro, sem o rockabilly barulhento de seus primeiros temas. Conseguiram com o mínimo: Holly na guitarra acústica, Jerry Allison marcando o ritmo com palmas nos joelhos —sem bateria—, Joe B. Mauldin no contrabaixo e a celesta de Vi Petty, esposa do produtor, flutuando como sinos sobre a mixagem. O truque do tubo de papelão que usaram para gravar a voz de Holly deu aquele tom abafado e próximo, como se o cantor estivesse sussurrando do outro lado de uma porta entreaberta. Durava apenas dois minutos e nove segundos, mas ali ficou o molde de um som que muitos tentariam imitar depois.
A letra não fala de festas nem de carros rápidos, mas de algo mais simples e persistente: “todo dia me aproximo mais”. O narrador canta com paciência, como se o amor fosse uma distância percorrida sem pressa, passo a passo. Essa ingenuidade não era casual: Holly estava deixando para trás o frenesi de seus inícios para experimentar algo mais delicado, e a equipe de Norman Petty —com suas técnicas caseiras de eco e a celesta emprestada— deu o enquadramento perfeito. Quando foi lançado em 20 de setembro de 1957 como lado B de Peggy Sue, ninguém esperava que se tornasse um tema que, décadas depois, a revista Rolling Stone incluiria entre as 500 melhores de todos os tempos. Mas foi assim: um golpe de sorte com instrumentos emprestados e uma ideia clara de para onde a música queria ir.
Do álbum
Buddy Holly
Buddy Holly · 1958 · Track 7
Dados