A história por trás
Eternità, segundo o DoReSol
Eternità soa como aquele tipo de balada que fica pairando no ar depois de terminar. Não é só a voz de Ornella Vanoni —que já tem um peso próprio— mas como a canção é construída sobre um ritmo que se alonga sem pressa, como se cada nota respirasse antes de soltar a próxima. O que mais surpreende é que, apesar de ser um tema que competiu no Festival di Sanremo de 1970, não soa como uma tentativa de ganhar um concurso, mas como uma confissão em voz alta. O arranjo, com suas cordas que se entrelaçam no refrão, lhe dá aquele ar de eternidade que o título promete: como se o tempo parasse bem ali, naquela mistura de melancolia e elegância.
Ela a gravou em 1970, dentro do álbum Appuntamento con Ornella Vanoni, um disco que não nasceu como um projeto novo, mas como um *collage* de sucessos anteriores e canções que já haviam deixado marca. Eternità chegou ao Sanremo em dupla com I Camaleonti, e embora tenha ficado em quarto lugar, o tema não precisou do prêmio para permanecer. Durava 3:38, um tempo justo para que a letra —que fala de algo que não se desvanece— e a melodia se entrelacem sem pressa. O disco, aliás, alcançou o quinto lugar em vendas, mas o interessante não é o número: é que, décadas depois, ainda soa como se o relógio não tivesse passado por ela.
Do álbum
Appuntamento con Ornella Vanoni
Ornella Vanoni · 1970 · Track 8
Dados