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A história por trás
Elvis está vivo, segundo o DoReSol
A canção «Elvis está vivo» não se assemelha ao resto do álbum «Alta suciedad». Tem um toque entre o blues e o rock clássico, com um ritmo que oscila entre a nostalgia e uma energia contida. Não é a faixa mais longa do álbum — tem exatamente três minutos —, mas consegue transmitir algo que não se repete nas outras faixas: uma mistura de ironia e devoção pelo mito do rock. A letra brinca com a ideia de que Elvis Presley continua vivo, mas não no sentido literal, e sim como um símbolo que transcende a sua própria lenda. É como se Calamaro tivesse pegado na essência do rockabilly e a tivesse revestido com o seu estilo descontraído, sem cair no óbvio.
A gravação de «Alta suciedad» foi um momento decisivo para Calamaro. Depois de deixar os Los Rodríguez, isolou-se para compor novas canções com total liberdade, sem a pressão de um grupo. O álbum foi gravado nos Estados Unidos com músicos anglo-saxónicos, algo pouco comum para um artista argentino naquela época. Joe Blaney, o produtor, conferiu-lhe um som mais polido, mas sem perder a crueza que sempre caracterizou Calamaro. O álbum vendeu mais de 700 mil exemplares e tornou-se o segundo disco mais vendido do rock argentino, de acordo com os registos da época. A revista Rolling Stone colocou-o entre os cem melhores do género no país e, anos mais tarde, uma lista da Al Borde posicionou-o entre os 250 álbuns essenciais do rock ibero-americano. Mas, para além dos números, «Elvis está vivo» funciona como uma homenagem pessoal: Calamaro sempre teve uma relação especial com o rock clássico e, aqui, demonstra-o sem necessidade de grandes exibições técnicas.
Do álbum
Alta suciedad
Andrés Calamaro · 1997 · Track 10
Dados
Créditos
Música Andrés Calamaro