A história por trás
Clara, segundo o DoReSol
Na primeira vez que você a escuta, o baixo de Emiliano Brancciari te pega no meio: aquele riff que se repete sem pressa, como um batimento que não se apaga. Não é uma música que te convida a dançar, mas a ficar parado, a deixar que a letra te envolva. A história que Clara conta é daquelas que não se esquecem: um amor que se vai cedo demais, mas que na memória do protagonista continua vivo, intacto. Ele sonha em encontrá-la "lá em cima", como se a dor da perda fosse apenas um pesadelo do qual não quer acordar. O curioso é que Brancciari não inventou essa história do zero: segundo ele contou depois, a música nasceu da frustração de um cantor que perdeu a voz e não pôde mais cantar. Aí está o detalhe que torna essa canção especial: não é só uma balada sobre o amor perdido, mas também sobre a impossibilidade de continuar criando música quando o corpo falha.
O álbum Este fuerte viento que sopla —onde Clara aparece como faixa de encerramento— foi gravado em duas cidades e com duas equipes distintas. A maioria das faixas foi registrada em Santiago do Chile em março de 2002, sob a batuta de Mariano Pavéz, mas essa música em particular foi trabalhada separadamente em La Zapada (Montevidéu), com Álvaro Reyes responsável pela gravação em abril daquele mesmo ano. O disco, que mistura ska, rock, reggae e até murga, foi lançado oficialmente em 12 de outubro de 2002 no Teatro de Verano de Montevidéu, e desde então a banda não parou de fazer turnês. A duração exata de Clara é de 4 minutos e 10 segundos, um tempo justo para que a história se desenvolva sem pressa. Não é uma música que busca chamar atenção com virtuosismos, mas com a verdade crua de seus versos e aquele baixo que parece se arrastar como um suspiro.
Do álbum
Este fuerte viento que sopla
No Te Va Gustar · 2002 · Track 8
Dados
Créditos
Letra Emiliano Brancciari
Música Emiliano Brancciari