A história por trás
Cheek to Cheek, segundo o DoReSol
Cheek to Cheek não é apenas uma canção, é um diálogo onde duas vozes se entrelaçam como se o tempo tivesse parado. Gravada em agosto de 1956 nos recém-inaugurados Capitol Studios em Hollywood, esta peça de três minutos e quarenta e oito segundos captura algo intangível: a cumplicidade entre Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Não há pressa em suas interpretações, mas um jogo de nuances onde cada nota parece pensada para que a outra responda. O songbook de Cole Porter —autor da música— veste-se aqui de elegância sem perder sua essência, e os arranjos de Paul Weston dão-lhe um marco onde o swing e a melancolia se equilibram com naturalidade. A magia está em como ambos os cantores transformam uma letra aparentemente simples em um momento de cumplicidade absoluta, como se cada palavra lhes pertencesse apenas a eles.
Este disco, Ella and Louis, nasceu sob o olhar atento de Norman Granz, o visionário por trás da Verve Records. Granz não só selecionou onze baladas para o projeto, como também deixou que Armstrong tivesse a última palavra sobre quais canções gravar e em que tonalidade. A sessão nos Capitol Studios —com Val Valentin operando os controles— não buscava apenas registrar uma música, mas capturar a química que já haviam demonstrado nos anos quarenta com a Decca. O resultado foi tão sólido que o álbum gerou duas sequências: Ella and Louis Again no ano seguinte e Porgy and Bess em 1959. Mas Cheek to Cheek se destaca porque, além dos prêmios —como os treze Prêmios Grammy que Ella recebeu ao longo de sua carreira—, o que perdura é essa sensação de que, por três minutos e quarenta e oito segundos, o jazz e a canção popular se fundiram em algo único.
Do álbum
Ella and Louis
Ella Fitzgerald · 1956 · Track 9
Dados
Créditos
Letra Irving Berlin
Música Irving Berlin