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Do álbum
Let It Be
The Beatles · 1970 · Track 3
Dados
TonalidadC#
Compás4/4
Tempo76 BPM
Duración3:48
ÁlbumLet It Be
Año1970
ISRCGBAYE0601710
A história por trás
A melodia de Across the Universe nasce de uma imagem muito concreta: palavras que fluem sem cessar, como uma chuva interminável caindo num copo de papel. Essa ideia surgiu em John Lennon numa noite de 1967, enquanto ele estava na cama com sua então esposa, Cynthia. Segundo ele mesmo contou, ela falava sem parar e, após adormecer, ele continuava a ouvir essas palavras em sua cabeça, como um torrente inesgotável. Desceu para o andar de baixo e essa sensação transformou-se numa canção, deixando para trás a irritação inicial para dar lugar a algo mais cósmico. Lennon sentiu que as palavras lhe foram dadas, como se não fossem suas, mas sim que chegavam a ele.
A atmosfera da canção foi profundamente marcada pelo interesse de Lennon e The Beatles na Meditação Transcendental no final de 1967 e início de 1968, momento em que foi composta. Foi neste contexto que Lennon adicionou o mantra "Jai guru deva om", uma frase em sânscrito que significa "toda glória a Guru Dev" e que presta homenagem ao mestre espiritual de Maharishi Mahesh Yogi. Essa frase tornou-se o elo com o refrão, que repete "Nothing's gonna change my world". A estrutura lírica é bastante direta: três sequências de um verso, a linha "Jai guru deva om" e a repetição de "Nothing's gonna change my world" quatro vezes. As letras estão carregadas de imagens, com conceitos abstratos personificados, e a frase titular "across the universe" aparece para fechar as linhas, mas sempre de forma ascendente, sem uma resolução melódica clara para o ouvido ocidental, permanecendo na nota principal. Lennon, numa entrevista de 1970, chegou a considerar que esta era talvez a letra mais poética e bem-sucedida que ele havia escrito, comparando-a a um poema que pode ser lido por si só.
A gravação de Across the Universe ocorreu em duas datas distintas: 4 e 8 de fevereiro de 1968, e posteriormente em 2 de outubro de 1969. Foi realizada nos estúdios EMI em Londres, com George Martin como produtor. A canção apareceu primeiro num álbum recopilatório de caridade chamado No One's Gonna Change Our World em dezembro de 1969. Mais tarde, em 1970, uma versão modificada foi incluída em Let It Be, o último álbum de estúdio lançado por The Beatles. Esta última etapa da banda, marcada por tensões internas, buscava voltar a configurações mais simples de rock and roll, e os ensaios para Let It Be começaram em janeiro de 1969. A canção também teve aparições em outras compilações, como os álbuns Rarities de 1978 e 1980, e Past Masters, Volume Two de 1988. O gênero musical é descrito como psicodelia, e sua duração é de 3:49.
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