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🇺🇸 Estados Unidos · * 1965–1968 * 1971 * 1998

The Mamas & the Papas

Se há um som que define os anos 60 na Califórnia, esse é o de The Mamas & the Papas. Não se trata apenas das vozes — quatro timbres que se entrelaçam como fios de seda —, mas de como esses fios se movem entre o doce e o áspero, entre o folk que se recusa a morrer e o pop que surge com guitarras elétricas. John Phillips, o cérebro por trás dos arranjos, pegou emprestado o folk que tocava com os Journeymen e o misturou com o ritmo contagiante dos Beatles, criando algo novo: harmonias que soavam como Califórnia mesmo quando chovia em Nova York. Cass Elliot, com sua voz grave e calorosa, era a espinha dorsal; Denny Doherty trazia aquela suavidade canadense que equilibrava as arestas mais duras; e Michelle Phillips, com seu tom cristalino, fechava o círculo. Juntos, não inventaram o folk-pop, mas o tornaram irresistível.

Tudo começou em 1965, quando quatro músicos cansados do folk acústico se isolaram nas Ilhas Virgens para experimentar algo diferente. Phillips, que a princípio resistia a abandonar o banjo e as canções de protesto, acabou admitindo que eram Denny e Cass quem o empurravam rumo ao som que vinha pela frente: o das guitarras elétricas e dos ritmos mais marcados. Quando chegaram a Los Angeles para assinar com a Dunhill Records, já não eram os mesmos. O contrato que firmaram — dois álbuns por ano durante cinco anos, com 5% de royalties sobre 90% das vendas — era generoso, mas também uma aposta arriscada. Lou Adler, dono da gravadora, lhes deu liberdade criativa em troca de cumprimento. E como cumpriram: em 1966 lançaram If You Can Believe Your Eyes and Ears, um disco que os colocou no mapa com duas canções ainda hoje reconhecíveis na hora: California Dreamin’ e Monday, Monday. A primeira, com sua melancolia invernal e guitarra acústica, soava como nostalgia por um lugar que muitos não conheciam; a segunda, com seu ritmo urgente e coros em cascata, parecia capturar o caos de uma década que se acelerava.

2,8M Ouvintes/mês

Dados, prêmios, membros e mais

Mais sobre The Mamas & the Papas

Biografia

Mas por trás dos sucessos havia rachaduras. O casamento de John e Michelle Phillips se desmoronava, e Denny Doherty — que já havia tido um affair com Michelle — acabou confessando seu relacionamento a Cass, que, por sua vez, estava apaixonada por ele. Quando John descobriu a traição, expulsou Michelle do grupo em 1966. Para substituí-la, contrataram Jill Gibson, uma cantora que aprendeu as partes de Michelle em apenas três semanas enquanto a banda estava em Londres. Gibson não era Cass, mas se encaixava na imagem: loira, magra, com uma presença cênica que acalmava os fãs. No entanto, o dano já estava feito. O segundo álbum, homônimo, saiu com sua voz em quase todas as faixas, mas o público não perdoou totalmente a substituição. Enquanto isso, as sessões de gravação eram repletas de maconha e tensões, e os filhos dos membros da banda — que às vezes estavam presentes — viam como o sonho se tornava algo mais frágil do que parecia. Em 1968, o quarteto se dissolveu, deixando apenas quatro álbuns de estúdio e uma dúzia de sucessos. Cass Elliot, a voz mais reconhecível do grupo, morreu em 1974, truncando qualquer possibilidade de um retorno. John Phillips continuou compondo, Michelle se dedicou à atuação e Denny Doherty seguiu na música, embora em segundo plano. Mas o eco de suas harmonias — aqueles coros que soam como sol, como flores no cabelo e como a promessa de uma liberdade que nunca foi totalmente real — segue vivo. Não em números de vendas nem em prêmios, mas na forma como uma canção como Dream a Little Dream of Me ainda consegue fazer você fechar os olhos e lembrar que, por um momento, tudo parecia possível.

Dados

Nacimiento
1 ene 1965
País
🇺🇸 Estados Unidos
Género
folk pop

Prêmios e reconhecimentos

  • Grammy

Selos discográficos

Dunhill * RCA Victor