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Santiago de Guayaquil, Equador · 1950–1978

Julio Jaramillo

A voz de Julio Jaramillo não se parece com nenhuma outra na América Latina. Quando canta, o bolero, o pasillo ou a valsa tornam-se mais do que gêneros: soam como Guayaquil nas tardes, como serenatas que escorregam pelas ruas de paralelepípedos, como histórias contadas em sussurros e violões desafinados. Não é apenas a potência de seu alcance —que vai de um grave escuro a um agudo límpido sem esforço— nem o fraseado que se arrasta como um rio lento. É que, em cada nota, parece que a dor e a alegria se dão as mãos sem aviso. Gravou mais de mil canções, mas há algo em sua maneira de interpretar Fatalidad ou Pobre mi madre querida que faz com que o ouvinte sinta que, por alguns minutos, o mundo para. Não era um cantor que buscava notas perfeitas: era aquele que fazia as canções soarem como se sempre tivessem existido, como se ele sozinho as tivesse lembrado de algum lugar esquecido.

Sua ascensão ao reconhecimento não foi gradual. Em 1956, quando a gravadora Ónix o chamou para gravar Fatalidad —um tema que já havia sido um sucesso na voz de Olimpo Cárdenas—, ninguém esperava que, em uma semana, seis mil cópias se esgotassem. O contrato que assinou naquele mesmo ano com J.D Feraud Guzmán o obrigou a gravar quarenta canções em dois anos, mas também o afastou de outras gravadoras e lhe proibiu de sair do país sem permissão. Foi um acordo que lhe deu estabilidade econômica, mas que o obrigou a trabalhar sob condições que hoje parecem absurdas. Mesmo assim, em menos de um ano, seu nome já ecoava da Radio Cóndor aos bares de Cali. As pessoas não apenas compravam seus discos: decoravam as canções e as cantavam em voz alta, como se fossem parte de um ritual.

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1 álbum · 1968

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Biografia

Antes disso, no entanto, houve anos de buscas e erros. Aos dezesseis, depois que seu pai morreu em um acidente e sua mãe o expulsou da escola por problemas de disciplina, ele se sustentou como sapateiro fino e, depois, como polidor de móveis. Mas à noite, quando terminava sua jornada, ele se infiltrava nos clubes de La Lagartera ou em Maracaibo para cantar por algumas moedas. Foi lá que conheceu Hugo Reyes, que se tornou seu amigo mais próximo, e Rosalino Quintero, o arranjador que acabaria tocando violão e requinto em muitas de suas gravações. Também foi nesses anos que gravou seus primeiros temas em dueto, como Pobre mi madre querida —um yaraví com ritmo de habanera— ao lado de Fresia Saavedra, e começou a conviver com compositores como Carlos Rubira Infante, que lhe ensinou a afinar melhor sua voz. Não havia um plano mestre: apenas a insistência de alguém que sabia que, cedo ou tarde, o mundo o ouviria.

Em 1955, com apenas vinte anos e já pai de dois filhos, fez sua primeira turnê pelo interior do Equador e chegou até Cali, na Colômbia. Não era uma viagem de luxo: dormia em pensões baratas e cantava onde quer que o deixassem, mas foi o primeiro passo de algo maior. Na época, sua voz já não era a de um rapaz que se infiltrava nos bares: era a de um artista que começava a deixar sua marca. Nas rádios América e El Triunfo, as emissoras o procuravam para preencher seus programas. E embora sua vida pessoal fosse um turbilhão —com amores, filhos reconhecidos e não reconhecidos, e uma família que crescia sem ordem—, no palco tudo parecia se encaixar. Gravou Fatalidad em 1956 e, de repente, deixou de ser mais um nome no rádio para se tornar um fenômeno que cruzava fronteiras. Não importava se o público era da Venezuela, do México ou da Colômbia: quando Jaramillo começava a cantar, todos ficavam em silêncio.

Dados

Nascimento
1 out 1935
País
🇪🇨 Equador
Gênero
bolero

Selos discográficos

Onix Yoyo Music Sonolux Peerless Codiscos AB Station Records

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