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🇺🇸 Estados Unidos · 1910–1933

Jimmie Rodgers

Blue Yodel não é apenas um som; é uma quebra no ar. Quando Jimmie Rodgers deixou sua voz se quebrar entre notas limpas e aquele *yodel* que saltava como uma faísca sobre o silêncio, não inventou um estilo: desmontou tudo para reconstruir de novo. Não era um grito de montanha nem um lamento de taverna, mas algo que vinha dos trens, dos acampamentos onde os operários cantavam para não sentir o cansaço, daqueles *gandy dancers* que marcavam o ritmo com ferramentas enquanto suas vozes se entrelaçavam em escalas que subiam e desciam como os trilhos sob as rodas. Rodgers não copiou aquela linguagem: levou-a ao disco, deu-lhe forma de canção gravada, e assim o *yodel* deixou de ser um truque de feira para se tornar a assinatura de um gênero que ainda não tinha nome.

O momento que mudou tudo aconteceu no verão de 1927, em um armazém vazio em Bristol. Ralph Peer, o homem da Victor Talking Machine Company, havia colocado um cartaz buscando músicos locais para tentar a sorte no estúdio. Rodgers chegou com os Tenneva Ramblers, uma banda que tocava em estações de rádio e resorts das Blue Ridge Mountains, mas no dia da gravação as coisas deram errado: uma briga interna os deixou sem grupo justamente quando Peer lhes deu sinal verde. O que poderia ter sido um desastre tornou-se sua oportunidade. Rodgers entrou sozinho no estúdio, com uma guitarra emprestada e aquela voz que já não precisava de coros para soar completa. Gravou duas tomadas do que viria a ser Blue Yodel No. 1 (T for Texas), e em menos de um ano o disco vendeu meio milhão de cópias. Não era a fama que buscava — era um som que pudesse caber em um disco de 78 rotações, algo que as pessoas levassem no bolso e assobiassem nos trens que ele já não podia tomar.

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Dados, prêmios, membros e mais

Mais sobre Jimmie Rodgers

Biografia

Antes de a tuberculose obrigá-lo a deixar os trilhos em 1924, Rodgers havia passado anos se movendo entre a poeira dos acampamentos ferroviários e os palcos dos *medicine shows*, aqueles espetáculos ambulantes onde a música era tão importante quanto o remédio que vendiam. Seu pai, Aaron Rodgers, trabalhava na ferrovia, e o menino cresceu ouvindo os cantos dos operários negros que marcavam o ritmo com suas ferramentas enquanto arrastavam os dormentes. Aquela música — uma mistura de blues, de *work songs* e de algo mais antigo que vinha da Irlanda e das montanhas dos Apalaches — foi sua primeira escola. Quando a doença o afastou dos trens, não ficou parado: formou caravanas com barracas, tocou em estações de rádio recém-nascidas como a de Asheville, e até tentou a sorte no Arizona antes de voltar para Meridian. O que muitos chamariam depois de "o pai da Country Music" não inventou nada do zero, mas juntou pedaços que já estavam no ar: o *yodel* dos pastores europeus, o ritmo dos trens, a melancolia daqueles que não tinham onde ficar. Morreu em 1933, aos 35 anos, mas naquele punhado de anos deixou gravadas mais de 120 canções. Não foi um recorde que o tornou grande, mas o fato de que cada uma soava como se tivesse sido escrita no vagão de um trem em movimento.

Dados

Nacimiento
8 sep 1897
País
🇺🇸 Estados Unidos
Género
acoustic blues

Prêmios e reconhecimentos

  • Grammy de Trajetória

Selos discográficos

Victor/RCA Victor/Bluebird