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João Gilberto 1962
Álbum · por João Gilberto ↗ Ver artista

João Gilberto

João Gilberto lançou em 1962 e ficou claro que a Bossa Nova não era apenas um ritmo novo, mas uma forma de tocar e cantar que mudava o peso de cada nota. Gilberto não buscava preencher o espaço com acordes densos nem com uma voz potente: preferia deixar cada som respirar, como se o silêncio também fosse parte da música. O violão não acompanhava; marcava o compasso com uma precisão que parecia simples, mas que, na realidade, exigia um controle absoluto do tempo. Esse disco, gravado no Rio de Janeiro, capturou algo que até então não havia sido gravado assim no Brasil: a sutileza como ferramenta principal.

Ano
1962
Músicas
12
Duração
27 min 20 seg

Sobre o álbum

João Gilberto, segundo o DoReSol

Entre as doze canções, há três que mostram por que este álbum se tornou um antes e depois. Saudade da Bahia soa como uma viagem instantânea à sua terra natal, com o violão que se move entre o melódico e o rítmico sem forçar o tempo. O barquinho tem uma cadência que parece flutuar, como se o barco do título navegasse sem pressa, mas sem pausa. E Coisa mais linda é pura elegância: a letra fala do óbvio, mas a interpretação a torna um descobrimento. A imprensa da época notou rapidamente: Rolling Stone Brasil o destacou anos depois como um disco que definiu o som de uma geração.

Gravou-o em três sessões com equipamentos emprestados, e o resultado foi um som limpo, quase doméstico, que contrastava com a produção carregada de outros discos da época. Não houve overdubs nem arranjos exagerados: o que se ouve é o que saiu da sala naquele momento. Isso sim, o Grammy que ganhou anos depois confirmou que, além dos elogios locais, sua influência havia atravessado oceanos. O disco não vendeu milhões em seu lançamento, mas quem o ouviu entendeu que estava diante de algo que não se parecia com nada que já tivessem ouvido antes.

Discografia

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