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Construção 1971
Álbum · por Chico Buarque ↗ Ver artista

Construção

O disco Construção, lançado em 1971, gestou-se em um momento de grande efervescência tanto artística quanto política para Chico Buarque. Grande parte das composições surgiu durante sua estadia na Itália, um período de exílio que, paradoxalmente, permitiu-lhe aprofundar sua linguagem poética e musical. Ao retornar ao Brasil em 1970, deparou-se com uma etapa mais dura da ditadura militar, marcada por uma censura estrita e a perseguição de artistas comprometidos. Essa atmosfera influenciou diretamente o conteúdo do álbum, que aborda as contradições sociais e a opressiva realidade do trabalhador brasileiro. A produção contou com a direção musical de Magro e os arranjos de Rogério Duprat, que aportaram elementos da música erudita e experimental, enriquecendo a sonoridade geral.

Ano
1971
Músicas
10
Duração
31 min 21 seg
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Sobre o álbum

Construção, segundo o DoReSol

A poética de Chico Buarque em Construção dá um passo adiante em sua faceta crítica. Se antes fundia a Bossa Nova com comentários velados à ditadura, neste trabalho mostra-se mais direto. Isso se evidencia nos versos iniciais de Deus lhe pague, a canção que abre o LP, onde canta sobre as necessidades básicas. Em Samba de Orly, uma colaboração com Toquinho e Vinicius de Moraes, aborda abertamente a experiência do exílio, o que levou a canção a sofrer censura parcial. A própria Construção é uma reflexão sobre a vida de um homem que trabalha incansavelmente até sua morte. No entanto, o lirismo característico do artista mantém-se presente em temas como Olha Maria e Valsinha.

A revista Realidade, em 1972, qualificou o disco como "o melhor feito nos últimos vinte anos no Brasil", destacando sua relevância frente à música importada e o papel de Chico Buarque na cena musical nacional. A canção que dá título ao álbum, Construção, destaca-se por sua estrutura inovadora, empregando versos dodecassílabos e repetições que criam um ritmo quase hipnótico, reforçando a ideia de alienação do trabalhador. A participação de músicos convidados, como Tom Jobim ao piano e o grupo MPB-4 nos coros, adicionou uma camada adicional de riqueza à obra. O álbum, lançado pela Philips Records, foi recebido com grande aclamação tanto pela crítica quanto pelo público, consolidando-se como um marco na música brasileira.