O contexto em que Artaud nasce é complexo, marcado por um período de alta tensão política na América do Sul, com a consolidação de ditaduras militares e a violação de direitos humanos. Na Argentina, este momento coincidiu com uma mudança de governo democrático que, no entanto, se viu envolvido em confrontos que desembocariam em um regime militar prolongado. Paralelamente, na vida pessoal de Spinetta, este período significou o início de um relacionamento estável com Patricia Salazar, uma conexão que trouxe "muito amor" que se refletiria nas letras, como no caso de "Por", coescrita com ela. A obra completa de Artaud, o poeta, com sua carga de sofrimento e emoções intensas, ressoou em Spinetta, que encontrava no surrealismo e na crueza do rock um eco dessa alienação e niilismo, mas que ao mesmo tempo contrastava com sua própria visão do rock e da vida, plasmada em seu manifesto.
Este disco, que muitos consideram uma obra-prima da música latino-americana e o melhor álbum da história do rock argentino, foi gravado nos Estúdios ION. A instrumentação contou com Luis Alberto Spinetta em guitarras, piano, maracas e vocais. A ele se juntaram Carlos Gustavo Spinetta na bateria para temas como "Cementerio club" e "Bajan", e Emilio Del Guercio no baixo e coros. Também participou Rodolfo García na bateria e coros, que já havia compartilhado projetos com Spinetta em Almendra. A produção esteve a cargo de Jorge Alvarez, com Pedro Pujo como coordenador. O álbum foi lançado em outubro de 1973 pela Talent-Microfón.