O disco soa como um salto controlado ao vazio. Músicas como The Fly —com seu baixo distorcido e voz robótica— ou Mysterious Ways —onde o baixo de Clayton traça linhas hipnóticas— mostram essa reinvenção. Mas há um momento-chave: One. Não foi apenas o single mais icônico do álbum, mas a canção que salvou a gravação. Segundo contaram depois, a banda estava à beira da separação até aquela sessão em Berlim lhes dar um rumo. O título do álbum, aliás, vem de uma fala do filme Os Produtores, de Mel Brooks, uma ironia em relação à autocrítica que estavam aplicando.
O impacto foi imediato. Achtung Baby chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e vendeu mais de 18 milhões de cópias, mas o mais interessante é como equilibrou o comercial com o arriscado. Ganhou um Grammy de melhor álbum de rock em 1993 e tornou-se o pontapé inicial da turnê Zoo TV, um espetáculo multimídia que refletia a mesma energia caótica do disco. Hoje, mais de trinta anos depois, continua sendo o álbum que muitos guitarristas citam ao falar de como romper com o estabelecido sem perder a essência. Não é um disco perfeito, mas é um que se sente vivo: cada camada de som, cada conflito nos bastidores, ficou preso nessas canções.