A história por trás
Sonny Rollins a gravou à sua maneira em *Saxophone Colossus*: com um solo de saxofone que parece respirar igual à peça. Não é uma peça que se limite a soar bonita; ali, nesses seis minutos e pouco, o instrumento se estica, se contrai e até sussurra. A melodia original, escrita décadas antes para um filme que nunca a usou, encontrou em Rollins um intérprete que a levou além do que Don Raye e Gene de Paul imaginaram. Não é por acaso que esta versão figura no Real Book como uma daquelas peças que todo músico de jazz tem de tocar ao menos uma vez.
O disco foi gravado em um único dia de 1956, em um estúdio pequeno em Hackensack, onde Rudy Van Gelder capturou o som cru e direto de Rollins e seu quarteto. O curioso é que naquele mesmo ano, apenas quatro dias depois da sessão, dois dos músicos que o acompanhavam—Clifford Brown e Richie Powell—morreram em um acidente automobilístico. A gravação ficou como um testemunho do que poderia ter sido e não foi, mas também como um documento de como o jazz continua vivo mesmo quando a vida se interrompe. A duração de 6:29 não é um detalhe menor: é o tempo que Rollins se toma para explorar cada reentrância da harmonia, como se cada nota fosse uma paisagem distinta.