A história por trás
O riff de *Tearz* assenta num padrão de três notas que se repete como um batimento, mas com uma reviravolta inesperada: cada ciclo avança mais um passo na escala antes de regressar ao início. Não é um loop perfeito, mas sim algo vivo, como se a canção respirasse com um ritmo que nunca se acomoda totalmente. A mistura brinca com esse desequilíbrio: os graves soam profundos mas cortantes, como se o baixo estivesse prestes a partir-se, enquanto os agudos se infiltram entre camadas de distorção controlada. É esse contraste — a tensão entre o polido e o cru — que faz com que a faixa não soe a rap convencional, mas sim a algo mais orgânico, como se tivesse sido gravada num espaço onde o som ainda não tivesse sido totalmente domesticado.
A sessão de gravação foi rápida e sem filtros. Em menos de uma semana, entre sessões improvisadas e ajustes de última hora, a equipa conseguiu captar aquela energia que normalmente se perde em estúdios polidos. RZA encarregou-se da mistura e dos arranjos, mas o crédito mais curioso é de Ghostface Killah: aparece como produtor ao lado de Mitchell Diggs, Oli Grant e do próprio RZA, embora a sua participação não se limite ao aspeto técnico. O engenheiro Ethan Ryman teve de lidar com equipamento emprestado e um espaço que não tinha sido concebido para gravar, mas o resultado soa como se tivessem tirado partido de cada imperfeição do local. A canção tem 4:18 de duração, mas nesse tempo cabem mais camadas do que parece: desde o sample de fundo até às mudanças de tempo que surgem sem aviso, como se a faixa estivesse viva e decidisse respirar quando menos se espera.