A história por trás
Sunday Kind of Love, segundo o DoReSol
Na primeira vez que você ouve Sunday Kind of Love, você é capturado por aquela atmosfera entre um sussurro e uma promessa, como se a voz de Etta James deslizasse sobre um colchão de cordas que não apertam, apenas acompanham. Não é uma canção que atinge com potência, mas sim envolve com uma calma que parece feita sob medida para uma manhã de domingo: lenta, cálida, com aquele toque de nostalgia que só as coisas que você sabe que não voltarão da mesma forma têm. O arranjo, com seus violinos se esticando como fitas e um piano que surge entre os silêncios, lhe dá um ar de elegância antiga, como aqueles vestidos que você guarda no armário e só tira quando quer se sentir diferente.
A duração — três minutos e dezessete segundos — é perfeita: o suficiente para a melodia se instalar na cabeça sem cansar, como um bom café tomado devagar.Gravada em 1960 para o álbum At Last!, a canção nasceu em um momento em que Leonard Chess e seu irmão Phil apostavam em transformar Etta James em uma ponte entre o blues puro e o pop que começava a tocar nas rádios. O produtor não buscava apenas um sucesso, mas um som que soasse fresco, mas ao mesmo tempo familiar, e em Sunday Kind of Love eles encontraram esse equilíbrio: a voz de James, grave e aveludada, balança sobre os arranjos de Riley Hampton, que aqui não soam como ornamento, mas como parte essencial da canção.
O disco alcançou a 12ª posição no Billboard Top Catalog Albums e, décadas depois, At Last! ficou na 191ª posição na lista da Rolling Stone dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, enquanto a Pitchfork o classificou como o 62º melhor da década de 1960. Mas além dos números, o que perdura é aquela sensação de que, ao ouvi-la, o tempo se estica um pouco, como os acordes finais que se dissipam sem pressa.
Do álbum
At Last!
Etta James · 2011 · Track 4
Dados
Créditos
Música Barbara Belle, Anita Leonard, Louis Prima, Stan Rhodes