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A história por trás
Oh! Darling, segundo o DoReSol
Da primeira vez que «Oh! Darling» soa, não há dúvidas: é uma canção que respira o espírito dos anos 50, mas com aquele ímpeto que só os Beatles conseguiam transmitir. McCartney escreveu-a com a intenção de que soasse como se já a estivesse a cantar há meses num palco, e o resultado é uma voz rasgada que nos penetra no peito. Não é uma canção que se ouve por acaso; exige atenção, porque cada nota parece sair de um lugar onde a emoção não tem filtro. A estrutura de acordes, como bem observou George Harrison, tem um cheiro a rock and roll clássico, mas com aquele toque de swamp pop que a torna única: um som que, ironicamente, muitos na Louisiana acreditaram ser de um músico local quando a ouviram pela primeira vez.
Gravada em abril de 1969 nos estúdios da EMI em Londres, a sessão foi um processo meticuloso. McCartney chegava cedo todos os dias durante uma semana para cantar a canção sozinho, porque a sua voz inicial soava demasiado limpa. Tentava gravá-la apenas uma vez por dia; se não saísse bem, esperava pelo dia seguinte. Chegava mesmo a ensaiar na banheira para garantir que cada gravação fosse perfeita. O engenheiro Geoff Emerick recordou que McCartney cantava com a faixa de fundo a tocar pelos altifalantes, e não com auscultadores, para simular a sensação de um concerto ao vivo. A canção integrou o álbum «Abbey Road», o último que gravaram como banda antes de se separarem, embora o álbum só tenha sido concluído depois de «Get Back» já ter sido lançada. Em 1970, a Apple Records lançou-a como single no Japão, juntamente com «Here Comes the Sun», e anos mais tarde, em 1996, uma versão inicial da canção — com Billy Preston ao teclado — integrou o álbum «Beatles Anthology 3». A canção também teve um momento emocionante em 2022, quando McCartney e Chrissie Hynde a interpretaram numa homenagem ao baterista dos Foo Fighters.
Do álbum
Abbey Road
The Beatles · 1969
Dados