A história por trás
Miss Blue, segundo o DoReSol
Na primeira vez que ouvi Miss Blue, o que mais me chamou a atenção foi aquele riff que se repete como um eco entrecortado, como se o baixo e a guitarra estivessem se perseguindo num jogo de espelhos. Não é um loop perfeito de quatro tempos, mas algo mais orgânico, com um peso que se sente no peito, mas que ao mesmo tempo flutua, como se a canção respirasse num compasso que nunca chega a encaixar. Isso, somado à voz de Richard Patrick — que aqui soa mais contida do que em outros temas do álbum —, dá à canção um ar entre melancólico e urgente, como se estivesse contando algo que não pode esperar.
Gravada no meio de um processo complicado para Title of Record, Miss Blue acabou se tornando um daqueles temas que surgiram quase por acaso. O disco em si teve um início lento: as mudanças de formação e a construção de um estúdio próprio por parte de Patrick atrasaram as sessões, mas, uma vez que a equipe se estabilizou, as coisas fluíram. Quando foi lançado em agosto de 1999, o álbum já cheirava a algo diferente, e Miss Blue foi uma das faixas que ajudou Title of Record a vender mais de um milhão de cópias e a conquistar um disco de platina. Não era apenas mais uma música: era o tipo de canção que, no momento certo, gruda na cabeça sem avisar.
Do álbum
Title of Record
Filter · 1999 · Track 11
Dados