A história por trás
Hacer el tonto, segundo o DoReSol
Na primeira vez que ouvi Hacer el tonto, tive a sensação de que não era uma canção qualquer: o piano soa como se estivesse desafinado de propósito, mas não é por acaso. Há algo na forma como Calamaro deixa as notas caírem, com essa mistura de despojamento e melancolia, que faz com que o tema pareça mais próximo de um monólogo do que de uma interpretação comum. O baixo, por sua vez, se move em um ritmo que parece escapar da batida, como se não quisesse se encaixar direito, e isso lhe dá essa aura de desordem controlada que acaba sendo sua marca mais reconhecível. A bateria, por outro lado, se mantém firme, quase como um contraponto à sensação de caos que os outros instrumentos transmitem.
É uma canção que soa como uma confissão, mas contada entre risos e alguns palavrões.Calamaro chegou a Hacer el tonto depois de anos tocando em bandas de rock, blues e até em grupos que imitavam The Platters. Antes disso, havia começado com o bandoneón aos oito anos e depois passou para a guitarra elétrica e o piano, instrumento que aprendeu com seu mestre Osvaldo Calo. No Uruguai, já como tecladista, gravou seu primeiro disco com o grupo Raíces, mas logo se juntou à Chorizo Colorado Blues Band ao lado de seu amigo Augusto Gringui Herrera. Mais tarde, após experimentar várias formações, acabou no grupo Stress, onde conviveu com Gustavo Cerati e Héctor Zeta Bosio, antes que esse projeto se transformasse nos Los Estereotipos.
A canção, com seus três minutos e quatro segundos, parece capturar essa mistura de experiência e despojamento que o caracterizava naquela época.
Do álbum
Honestidad brutal
Andrés Calamaro · 1999 · Track 10
Dados
Créditos
Letra Andrés Calamaro
Música Andrés Calamaro, Gringui Herrera, Marcelo Scornik