Acordes em preparação
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A história por trás
Climbing the Wall, segundo o DoReSol
Há algo em Climbing the Wall que te cativa desde o primeiro acorde: não é só o ritmo, mas aquela sensação de estar subindo algo que não se vê, de avançar entre camadas de som que se sobrepõem como tijolos em uma parede. A música não fica na superfície; começa com uma base de guitarra que parece te arrastar para cima, enquanto a bateria de Stuart Cable marca o passo com uma precisão que não perdoa. Não é uma música que soe polida em estúdio, mas como uma tomada ao vivo onde o suor e os erros ficam gravados. A voz de Kelly Jones chega rouca, como se cada palavra custasse um esforço, e isso lhe dá um peso que não se esquece. Não é uma canção que convide a dançar, mas a ficar parado e ouvir como cada camada é construída, desde o baixo de Richard Jones até os detalhes que aparecem ao fundo.
Gravá-la em tempo recorde, quase como se sentissem que tinham de capturar aquela energia antes que ela se perdesse. Kelly Jones encarregou-se da produção e buscou algo cru, espontâneo, como se quisessem que o disco soasse como seus concertos: sem filtros, mas com camadas que não se repetem. Os engenheiros Andy Burden, Chris Steffen e Brian Vibberts conseguiram que o som fosse denso, mas transparente, como se cada instrumento tivesse seu próprio espaço sem pisar no outro. A mixagem, a cargo de Jack Joseph-Puig, deu-lhe aquele ar de urgência que faz com que a faixa não soe como um exercício técnico, mas como algo vivo. Durava quatro minutos e cinquenta e cinco segundos, mas naquele tempo cabem mais ideias do que muitos álbuns desenvolvem em uma hora.
Do álbum
You Gotta Go There to Come Back
Stereophonics · 2003 · Track 6
Dados